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Páscoa na Itália: 5 pratos da tradição da Ligúria

A Páscoa na Itália é uma festa muito importante, perdendo apenas para o Natal. Embora haja um ditado italiano que diz “Natale con i tuoi, Pasqua con chi vuoi” (Natal em família, Páscoa com quem quisermos), no dia da Páscoa os italianos costumam organizar uma grande refeição com toda a família.

Certamente cada região da Itália tem suas receitas próprias, ligadas à tradição gastronômica e que se mantiveram inalteradas ao longo dos séculos. Sendo assim, neste post trazemos cinco pratos típicos da Páscoa na Ligúria.

 

Fricassê de cordeiro e alcachofras

Páscoa na Itália

Sem dúvida o rei das mesas da Páscoa na Itália é o cordeiro. Na Ligúria, ele é servido com alcachofras cozidas na frigideira. Neste fricassê, cozinha-se o cordeiro em pedaços em uma panela com vinho branco, caldo de carne, tomate e cebola. Por fim, depois de cozido, despeja-se um creme obtido a partir de ovo batido com pinoli, salsa e limão.

Outra versão popular do cordeiro da Páscoa é a coxa assada, temperada com folha de louro e sálvia, e servida com alcachofras ou batatas assadas. Sabores fortes e genuínos da terra, que passam de geração em geração. Enfim, para acompanhar essa delícia aconselha-se um vinho tinto com poucos taninos.

 

Lattuga ripiena – Alface recheado

É um prato muito saboroso que pode ser servido com caldo, ou assado com molho de tomate, mas também como acompanhamento. A receita diz que se deve rechear grandes folhas de alface escaldadas com uma mistura de carne, pão, ovos, parmesão e ervas como manjerona, alecrim e sálvia.

São muitas as versões que modificam a receita básica. Além do método de cozimento, é possível personalizar o recheio com base na carne que se utiliza. Por exemplo, há quem opte apenas pelo presunto, quem prefira carne moída e quem misture à carne, molejas e gordura de vitela, relembrando uma tradição culinária antiga e mais pobre.

 

Torta Pasqualina

Páscoa na Itália

Sem dúvida a Torta Pasqualina é o prato que mais representa a Páscoa na Ligúria. Provavelmente isso se deve à utilização de ovos e ervas. O invólucro da torta é uma espécie de massa folhada e o recheio inclui acelga portuguesa misturada com Prescinseua, uma coalhada fresca que se tornou famosa graças à Focaccia di Recco, da qual é o recheio. Além disso, usa-se este queijo local há muitos séculos. De fato, em 1413 um documento o menciona como “o único presente que os genoveses podiam dar aos Doges”.

Por fim, para enriquecer a Torta Pasqualina, despeja-se ovos crus inteiros sobre o recheio. Os vinhos mais indicados para o acompanhar são brancos, jovens e frescos.

 

Cavagnetti

Páscoa na Itália

O almoço de Páscoa na Itália termina sempre em modo grandioso. Na Ligúria, isto acontece com os cavagnetti, doces típicos feitos com uma base de massa doce, contendo um ovo inteiro cozido.

Segundo a tradição, ainda antes dos ovos de Páscoa, esse era o modo de dar ovos às crianças, como símbolo de boa sorte. São presenteados na Páscoa e consumidos durante a festa e, no dia seguinte, como lanche. Há também uma versão salgada deles.

Enfim, o termo Cavagnetto significa, no dialeto da Ligúria, cesta, e refere-se à forma da massa.

 

Páscoa na Itália: os Quaresimali da Ligúria

Os doces protagonistas da Semana Santa são os Quaresimali, biscoitos típicos de Gênova, preparados segundo os ditames da fé católica.

A sua origem remonta ao século XVI, quando as freiras da Igreja de San Tommaso, em Gênova, para aliviar o fardo do jejum nos dias de vacas magras, criaram biscoitos simples mas saborosos, preparados apenas com água, açúcar e pasta de amêndoa. Este ingrediente vinha das colônias árabes da Repúblicas Marítimas e era muito apreciado pela nobreza genovesa da época.

Biscoitos quaresimali genoveses sortidos

 

Existem três tipos diferentes de Quaresimali, diferentes na forma e no cozimento da pasta de amêndoa: o canestrellini, o mostaccioli e o marzipã. Por se tratarem de sobremesas secas servidas no final de uma refeição, a combinação perfeita é com um vinho doce, em particular com o Cinque Terre Sciacchetrà DOP.

 

Por Renan Sousa

Comilão de nascença e amante do futebol.

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